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Jardim Cordeiro: De terras produtivas ao desenvolvimento

Com o intuito em resgatar a história dos bairros de Cordeirópolis, o Jornal Expresso/Portal JE10 criou o quadro “Seu bairro, sua história”. Dentro dele, vamos conversar com moradores e pessoas que estejam diretamente ligadas a construção histórica de cada lugar. Na segunda reportagem da série, será a vez do bairro do Jardim Cordeiro contar um pouco das suas origens e como seus residentes lutaram ao longo destes anos para sair de uma terra de plantações para o desenvolvimento. Sejam todos bem-vindos, ao “Seu bairro, sua história”

A história do Jardim Cordeiro começa em meados dos anos 80, na época o bairro era um vasto lugar dominado por plantações diversas. A terra era fértil e o que se plantava aqui, colhia. Quem nos conta, é uma das primeiras moradoras do bairro, Maria da Luz Candido, a Dona Mariquinha.

“Plantei muita coisa nessa terra, lembro de colher cinco quilos de mandioca. Em todo o lugar eu estava plantando, já que na época não tinha casas. Como dava muitos produtos, eu comecei a vender, sempre vendia para os professores da Escola Jamil, com o dinheirinho que ganhei consegui buscar minha mãe e trazer ela para perto de mim”, contou emocionada.

Ainda de acordo com ela, o bairro sofreu muita discriminação pelo poder público do período. Ela detalha que quando chegou não havia água encanada, as ruas eram de barro e os serviços públicos não existiam no Jardim Cordeiro.

“Quando eu cheguei não tinha nada. Lembro que pegava as crianças e levavam eles para tomar banho na mina. Sabe onde é a pracinha do bairro hoje? Então, lá era uma mina e tinha uma água limpinha. Lembro que na época de frio as crianças sofriam para tomar banho e voltavam todas encolhidas, mas tinham que tomar. Foram anos difíceis e íamos na prefeitura e as pessoas não se importavam com a gente”, detalhou.

Em uma das suas histórias, a Dona Mariquinha se emociona ao relatar uma das primeiras vezes em que pode tomar banho em um chuveiro elétrico e com toda a sua humildade pode compartilhar isso com muita gente.

“Foi na campanha do ex-prefeito Elias Abrahão. Ele veio aqui no bairro e pedimos para que pudesse dar mais atenção para o Jardim Cordeiro. E disse que um dos meus sonhos era tomar banho no chuveiro elétrico e com água quente. Então, ele meu deu o chuveiro e eu fiquei tão feliz que decidi chamar a vizinhança toda para tomar banho na água quente”, contou emocionada.

Anteriormente a isso, com a chegada de novos moradores o bairro começou a se fortalecer e mirar seu desenvolvimento. Mas, para isso, um período de batalha foi travado para que o Jardim Cordeiro não fosse esquecido. Neste momento, aparece um casal essencial para a construção do restante dessa história, Adelina Sala e João Sala. O casal, foi responsável por unir o povo que aqui estava e travar uma luta constante para conseguir coisas básicas ao município.

“Chegamos aqui e tinha muito mato e poucas casas, nem iluminação pública, rede de esgoto e asfalto. Tudo isso faltando, e já estava em 85. Então, fundamos a primeira Associação de Moradores registrada de Cordeirópolis e começamos a procurar os nossos direitos. Íamos na Prefeitura e eles ficavam empurrando de um lado para o outro e nada se resolvia. Foi aí, que buscamos outros caminhos que pudesse cobrar o poder público para fazer as coisas aqui no bairro. Porque, muitas vezes fazia em outros e deixavam aqui esquecido”, elucidou Adelina.

O primeiro serviço público do bairro, passa por esse processo de batalha. A construção da creche, que na época era chamada de Núcleo Social chegou por aqui após a solicitação dos moradores.

“As cerâmicas da cidade doaram um dinheiro para a construção desse núcleo, só que, ele iria ser construído no bairro do Jardim Progresso. Então, fomos até o fórum e pedimos para que construísse no nosso bairro, já que na época não tínhamos nada aqui. O prefeito acatou e ganhamos nosso primeiro espaço público construído em cima da terra”, explanou Adelina.

A partir desse momento, os moradores entenderam sua força e a importância dentro da sociedade e fizeram que o Jardim Cordeiro se tornasse modelo para a construção do desenvolvimento de Cordeirópolis.



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